O processo criativo é inerente a qualquer profissão, em qualquer nível de hierarquia e em qualquer lugar. Todo indivíduo necessita lançar mão da criação se quiser fazer sucesso no seu trabalho. Idéias são, de fato, o que faz a diferença entre profissionais e grandes profissionais. Apesar disso, quando se fala em criação, geralmente nos vêm à cabeça agências de publicidade, sistemas de televisão, revistas, jornais e todos as empresas que fazem parte do ramo da comunicação. Sendo assim, falemos da criação voltada para estas áreas.
Há quem fale dos dons de criação que o indivíduo carrega consigo como um prêmio genético. De fato, algumas pessoas têm mais facilidade do que outras para desenvolver um trabalho criativo digno de elogios, no entanto, nunca ficou provado ser um fator puramente hereditário. O que se sabe é que um profissional de criação não se faz em dois dias, nem em dois anos. A criação precisa utilizar técnicas para extrair o máximo possível da capacidade de um indivíduo. Existem perguntas a serem feitas no início de cada trabalho e é preciso saber fazer as perguntas corretas. Existem objetivos a serem alcançados pelo cliente na concepção de um projeto de criação que ultrapassam o limite do ego do criador. O processo criativo é a ponte entre a meta e o resultado e isso exige uma grande dose de responsabilidade de quem está sentado na cadeira de criação.
Então o que significa criar? Criar, aos olhos da comunicação, significa inovar. Criar significa satisfazer. Criar significa encontrar meios de atingir resultados. Criar significa arrancar sorrisos.
Após a popularização dos microcomputadores começou a surgir no mercado uma grande quantidade de pessoas trabalhando como profissionais de criação e computação gráfica. Muitos acreditam que ter um micro e dominar um programa gráfico é suficiente para conseguir um lugar no mercado. Muitos até se autodenominam designers. Mas, tudo isso é um grande equívoco. O computador é apenas uma ferramenta para auxiliar o profissional no processo criativo. Ele tem a função de agilizar o trabalho e minimizar os erros no decorrer do processo. O profissional de criação pode até se abster de usá-lo e o seu trabalho não será comprometido, pois a concepção da idéia e a materialização da mesma se dão em instantes diferentes. O criador é aquele que utiliza neurônios como matéria-prima e não bits.
Então como se tornar um profissional de criação? Antes de tudo tenha a certeza de que este trabalho lhe fará bem. O profissional desta área passará, no mínimo, oito horas por dia com o cérebro em alta rotação. O nível de stress que isso pode acarretar é muito alto se aliado a ele não tiver o prazer no que está fazendo. Tendo essa certeza, este profissional precisará dominar os programas da área gráfica, pois apesar do fato de que o seu trabalho se dá com a cabeça ele precisará ser visto e aprovado por alguém. O criador precisa estar muito bem informado de tudo o que acontece dentro e fora da sua área de atuação. A política, a informática, os conhecimentos gerais e as curiosidades de tudo que nos cerca, na grande maioria, são pontos de partida para um bom trabalho de mídia. Estudar as tendências do mercado, perceber as inovações, realizar as pesquisas necessárias, tudo isso é crucial para obter bons resultados. E sempre, sempre, se reciclar. Tudo isso está sendo dito pressupondo que o indivíduo tem domínio das técnicas básicas de comunicação visual. A teoria das cores, o domínio da forma, técnicas de luz e sombra, noções de espaço, visão crítica, são elementos primários ao se candidatar à vaga de profissional de criação.
Tenha a plena consciência de que as idéias simples são as mais procuradas e são as mais difíceis de encontrar. Idéias mirabolantes que demandam verbas gigantescas são descartadas de pronto em quase todos os projetos publicitários. As virtudes de saber trabalhar em grupo, aceitar críticas e ter paciência são muito procuradas. Uma criação acabada passou por várias modificações. Teve que ser feita, refeita, testada, aprovada, discutida, rejeitada, para ser mostrada ao cliente final.
Ponha de lado o super ego. Tenha em mente de que você é uma ferramenta trabalhando para o seu cliente. Lembre-se que ele precisa vender uma marca ou produto. Lembre-se de que ele precisa cumprir metas e está buscando a sua ajuda para fazê-lo da melhor maneira possível. Se o prêmio de melhor peça do ano vier junto, ótimo. Se não, o seu objetivo principal foi arrancar um sorriso da boca do seu cliente.
Não se contente em ouvir um "está bom". Um trabalho está razoável quando alguém te diz "fantástico, excelente".
Não desanime se, um dia ou outro, você não encontrar uma idéia brilhante para um trabalho. Talvez ela apareça em um sonho, ou na praia, no banheiro, durante um beijo. Saiba que a mente nos prega peças que nem sempre são explicáveis.
Ouça o que os profissionais mais experientes lhe dizem. Eles já vivenciaram muitas situações e aprenderam com elas. Não queira pagar o preço de vivenciar todas elas para aprender aquilo que estão te oferecendo de graça. Agradeça...E não fique triste se muitos deles se negarem a colaborar. A insegurança não merece ser ouvida.
Entenda que um bom profissional merece ser bem pago pelo seu trabalho, pois a sua cabeça ficará livre apenas para trabalhar, no entanto, saiba conciliar o período em que nem todos ainda acreditarem no seu potencial. Você merece um bom salário, mas antes precisa provar a sua capacidade.
Acredite em você...quem sabe, em pouco tempo, estará dando conselhos.